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Crônica: A delicadeza de não responder

Retrô, mulher refletindo o poder do silêncio.

Ela leu a mensagem duas vezes, na primeira, sentiu raiva, na segunda, percebeu que a raiva já não era tão grande quanto a vontade de responder.


Os dedos começaram a percorrer o teclado, escreveu uma frase, apagou. Escreveu outra, mais firme, apagou também. Por alguns minutos, ficou ali, olhando para aquelas poucas linhas na tela como quem procura uma resposta capaz de colocar o outro no lugar.


E talvez fosse exatamente esse o roblema, ela ainda estava tentando colocar o outro no lugar. Durante muito tempo, acreditou que precisava responder a tudo, a uma injustiça, respondia; a uma provocação, respondia; a uma indireta, respondia.


A uma interpretação equivocada sobre ela, respondia com uma explicação detalhada, quase como se sua vida fosse um processo judicial e ela precisasse apresentar provas para ser absolvida.


Até que um dia percebeu uma coisa simples: nem toda provocação merece uma resposta, algumas merecem distância, outras, silêncio. E algumas, simplesmente, merecem que a gente continue vivendo como se não tivesse ouvido.


Não foi fácil! O silêncio no começo, parecia covardia. Ela tinha sido ensinada a se defender, a esclarecer, a não levar desaforo para casa. E havia aprendido tão bem que, muitas vezes, confundia paz com a necessidade de ter a última palavra.


Mas a maturidade foi chegando devagar e trouxe consigo uma pergunta incômoda: “Eu quero responder porque isso precisa ser dito ou porque preciso que o outro saiba que me atingiu?”


A pergunta mudou muita coisa, porque, às vezes, responder não resolve, só prolonga uma discussão. Uma explicação pede outra explicação. Uma justificativa abre espaço para uma nova cobrança, e, quando percebemos, passamos horas tentando ser compreendidos por alguém que talvez tenha decidido não nos compreender.


A delicadeza de não responder foi então, descoberta! Não era desprezo, não era arrogância, era discernimento! Era saber que algumas palavras, quando pronunciadas no calor do momento, podem criar feridas que o silêncio teria poupado.


Era entender que nem todo mundo precisa conhecer seus pensamentos mais profundos, nem todo mundo merece uma explicação, nem toda pergunta merece resposta e nem todo mundo que bate à porta merece que a gente abra.


Naquela noite, ela colocou o telefone sobre a mesa, a mensagem continuava ali, a resposta também poderia estar, mas não estava. Ela respirou fundo e foi preparar um café.


Talvez tenha sido uma das atitudes mais simples que tomou naquele dia. E, ainda assim, uma das mais importantes, porque descobriu que existe uma liberdade enorme em não participar de determinadas conversas, em não aceitar todos os convites para o conflito, em não transformar cada provocação em batalha.


Em compreender que algumas pessoas podem falar sobre nós sem que isso nos obrigue a falar com elas.


No dia seguinte, a mensagem ainda estava lá, ela não respondeu, e percebeu que o mundo não havia acabado, pelo contrário, havia amanhecido, o café tinha o mesmo cheiro, o Sol entrava pela janela, a vida seguia... e ela também.


Talvez a verdadeira delicadeza não esteja apenas naquilo que dizemos, talvez esteja também naquilo que, por maturidade, serenidade e amor-próprio, decidimos não dizer, porque há silêncios que não são ausência de palavras, são presença de consciência.


E, algumas vezes, a resposta mais elegante que podemos oferecer é simplesmente seguir em paz.


Brilhe e deixe brilhar!


Sucesso!


Imagem: Alexey Marcov por Pixabay | Texto: Ellaine Toledo | Apoio editorial: ChatGPT (OpenAI)

 
 
 

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