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Crônica: O dia em que eu parei de insistir

Por Ellaine de Araujo Campos Toledo

Naquela noite, escrevi uma mensagem enorme.


Escrevi porque precisava dizer. Porque ainda acreditava que, se encontrasse as palavras certas, talvez o outro finalmente entendesse. Expliquei o que havia acontecido, o que eu havia sentido, o que me magoara. Escolhi cada palavra com cuidado, como quem tenta atravessar uma ponte frágil sem fazer barulho.


Li uma vez. Li outra. Na terceira, percebi que estava fazendo aquilo de novo.

Tentando explicar o que já havia sido explicado. Tentando ser compreendida por alguém que talvez nunca tivesse realmente se disposto a compreender. Apaguei tudo.


Fiquei olhando para a tela vazia por alguns segundos. Era estranho. Eu esperava sentir tristeza, talvez arrependimento. Mas o que veio foi uma espécie de silêncio. Um silêncio diferente. Não aquele que machuca, mas aquele que chega depois de uma longa caminhada, quando finalmente encontramos um lugar para sentar.


Foi naquela noite que eu percebi que estava cansada, não cansada da pessoa, cansada de insistir. Insistir para ser ouvida. Insistir para ser respeitada. Insistir para que uma presença tivesse o mesmo significado para o outro que tinha para mim.


Durante muito tempo, confundi insistência com coragem. Achava bonito não desistir das pessoas, fui ensinada a tentar mais uma vez, conversar mais uma vez, compreender mais uma vez. E, talvez por isso, demorei tanto para perceber que existe uma diferença enorme entre lutar por algo e lutar sozinha por algo.


Quando somente um lado tenta, já não existe encontro, existe esforço. E esforço demais, quando não encontra reciprocidade, começa a cobrar um preço silencioso: a gente vai se diminuindo aos poucos para caber em lugares onde nunca houve espaço para nós.


Naquela noite, não houve discussão, não houve despedida dramática, não houve bloqueio, discurso ou porta batida. Houve apenas uma mensagem que não foi enviada.


E, curiosamente, foi a primeira vez que senti que estava dizendo alguma coisa. Dizendo a mim mesma que eu não precisava mais convencer ninguém sobre o meu valor, justificar meus sentimentos ou implorar por aquilo que deveria nascer naturalmente.


No dia seguinte, a vida continuou... o café esfriou sobre a mesa, o telefone tocou, as pessoas seguiram suas rotinas. O mundo, como sempre, não percebeu que dentro de mim alguma coisa havia mudado.


Mas eu percebi, porque, pela primeira vez, quando senti vontade de insistir, escolhi ficar em silêncio, não por orgulho ou vingança, mas por respeito a mim mesma.


E talvez essa seja uma das decisões mais difíceis que a gente toma na vida: entender que algumas coisas não terminam quando alguém vai embora, elas terminam quando nós finalmente paramos de correr atrás.


Naquele dia, eu não desisti de alguém, desisti da necessidade de ser escolhida por quem nunca soube me escolher. E foi assim, quase em silêncio, que comecei a voltar para mim.


Às vezes, parar de insistir não é desistir de alguém. É finalmente escolher não desistir de si mesma.


Escolha-se, brilhe e deixe brilhar!


Imagem de Bianca Van Dijk por Pixabay

 
 
 

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